Vislumbre é a palavra,
àquela que se apresenta e faz uma saudação.
Pode ser:
ousada,
criativa
ou silenciosa.
Chega devagar,
bate à porta dos pensamentos,
estende a mão,
levanta o olhar
e faz sinal de entrega.
Deixa sensibilidade,
conta sua história,
carrega trajetórias
guarda memórias,
que o tempo não consegue apagar.
Mulheres
e palavras…
Duas forças
que se encontram
entre páginas,
linhas e silêncios.
Mulheres
que descobriram na literatura
a magia do retorno,
o caminho de volta
para aquilo que um dia
ficou escondido dentro delas.
Retorno às lembranças,
aos lugares,
às pessoas,
às perdas,
aos encontros
e às pequenas coisas
que pareciam esquecidas.
Nos diários,
a palavra encontrou abrigo.
Ali, o que não podia ser dito
ganhou espaço.
O desabafo encontrou papel,
o choro encontrou linhas,
a inquietação encontrou frases,
e a denúncia
pôde nascer em forma de grito.
Maravilhas
foram suas palavras,
costuradas com muito trabalho,
linha por linha,
pensamento por pensamento,
fazendo escolhas,
ligando frases,
aproximando sentidos,
transformando palavras
em orações,
orações que não pediam silêncio,
mas escuta.
Palavras
para tocar diversos corações,
para atravessar distâncias,
para alcançar quem lê
e talvez reconhecer
um pouco de si.
Estão nos livros
as histórias dessas mulheres,
algumas escritas com lágrimas
que descem lentamente das faces,
outras com risos,
outras com medo,
outras com coragem.
Porque escrever
também é caminhar
por dentro de si.
As mulheres descritas
através de seus diários
podem ser engraçadas,
podem ser inquietas,
podem esconder segredos,
podem revelar sonhos,
mas todas carregam
trajetórias.
Cada página
é uma passagem.
Cada palavra,
uma pequena janela
para aquilo que foi vivido.
Lê-se rios de sabedoria,
clareando as águas,
abrindo caminhos
e mostrando que nenhuma história
é pequena demais
quando encontra alguém disposto
a escutá-la.
Há palavras que nascem da espera,
outras, da ausência,
algumas nascem de uma pergunta
que permaneceu sem resposta.
Há aquelas
que chegam depois da lágrima
e aquelas que florescem
quando a esperança retorna.
Entre versos e pausas,
escreveram.
Entre dúvidas e certezas, continuaram.
E ouviram a própria voz.
Às vezes baixa, quase sussurro.
Às vezes forte,
como quem finalmente
abre uma janela
depois de muito tempo.
A palavra lhes deu passagem.
Permitiu dizer o que a boca calou.
Permitiu lembrar
o que a vida tentou esconder ou tirou.
Permitiu transformar
a dor em memória,
a memória em história,
a história em literatura.
E talvez seja esse
o maior deslumbre:
descobrir que uma palavra
pode ser pequena
e, ainda assim,
carregar um mundo.
Uma palavra pode ser encontro.
Pode ser retorno.
Pode ser abraço.
Pode ser denúncia.
Pode ser lágrima.
Pode ser coragem.
Pode ser começo.
Mulheres escreveram
e continuam escrevendo.
Deixam suas marcas
como assinaturas no papel,
não apenas para serem lidas,
mas para permanecerem.
Porque algumas vão embora,
mas suas palavras ficam.
Ficam nos livros,
nos diários,
nas lembranças
e nos olhos de quem leu.
Ficam como sementes
lançadas ao tempo.
E quando alguém
abre uma página
e encontra aquela palavra,
a história novamente respira.
A mulher retorna.
A voz retorna.
E a palavra,
que um dia apenas se apresentou,
agora permanece.
Deslumbra.
Escrito por: Andreia Coelho – @andreiafscoelho





