Poesia – Tempo corrido, mato avolumado

Chegou como um raminho
Pelas mãos de Jean, o padrinho
Confiança e tempo dediquei
Coloquei muito carinho
E cuidados ofertei
Todavia, poderia não sobreviver o meu nino
Temerosa duvidei
Um pedaço de gravetinho
Tão magrinho, foi o que imaginei.

Bastante água ele bebia,
Para hidratado estar
Muita conversa para confabular:
Meu moleque, vamos lá
Se lembra de Maricá?
Meus lamentos, parecia
O pequeno considerar,
Pois atento ele me ouvia

E ouviu funk, bombas e fuzil
Assim como o silêncio curtiu
Conheceu tempos de paz
Quando a lua, o terreno alumiava.
Viveu ventos, relâmpagos e trovões
Durante tempestades se banhava
Destemido, intensamente audaz
Enfrentou sóis dos verões.

Quanta fragilidade, pensei
A ventania em seu tronco batia,
Aquelas verdes demais
Essas bastante vermelhas
Suas belas folhas, sacudia
Singelas! formosas assaz,
São as flores, considerei

Flores que nada
Sujam, o piso de pedra, as abusadas
Tornando-se amarronzadas
Se ofertando igual tapete
Ou viajando em buquê
Para enfeitar a morada
Da Titi, a Elierte.

O quê? surpresa esplêndida
As flores que eu pensara
Avermelhadas, mui vibrantes
Escondem em si, bem faceiras
As miúdas fascinantes
Pequeninas, suas flores verdadeiras

Do lar, admirando de frente
Se espalhou tão de repente
Espaços mil ocupando
Transformando-se num gigante
Atrevido, petulante, se impondo
Fica onde bem entende.

Subindo ao segundo piso, espio
Pela janela, estupefata aprecio
Um mato conquistador que me encanta
E me apaixono de tal feitio
Que, aos fundos da casa corro
E vejo o desmedido abraço
Que minha choupana aperta

Não reclamo da sujeira imensa
Nem me queixo, é fugaz, passageira
A sua espaçosa maneira
Só me deleito bem mansa
E então contemplo
Dos passarinhos morada

Considerando a paisagem
Do mato que virou o templo
Posto que ali, cantam na linda aurora
E depois voam ao forte sol
Retornando a cantoria, ao acaso
De um alaranjado arrebol

E o abrigo soturno de outrora
Envolto com a sombra por ora
Do matagal ao longo espigado
Me faz contemplar contente
O tempo, que despertou dimanante,
Igualzinho ao reinante,
A rosa em mim cochilante

Outrossim, deveras dama
Levemente bruxa, igualmente fada
Apreciando a árvore nascida
E pelas mãos do Clóvis podada
Cá, no subúrbio Engenho Novo
Destarte, radiante descrevo
Meu bougainville amante!

Por Eliane Santos de Souza – @eliane_santosdesouza

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