Ser mãe nunca foi, para mim, aquilo que romantizam. A maternidade chegou com amor, sim mas também com desafios que ninguém me ensinou a enfrentar. Sou mãe de dois meninos, um de 16 anos e outro de 9, e cada fase da vida deles me transformou em uma mulher diferente. Não apenas mais forte, mas mais consciente do mundo e das falhas dele.
A maternidade real não cabe em fotos bonitas ou frases prontas. Ela mora nos bastidores. Mora nas noites mal dormidas, nas preocupações silenciosas e, principalmente, na luta constante para garantir direitos que deveriam ser básicos.
Ser mãe de filhos que precisam de mais atenção, cuidado e acesso a serviços que muitas vezes não chegam até nós, é viver em alerta o tempo todo. É aprender, na prática, a ser mãe, advogada, professora, terapeuta e, muitas vezes, porta-voz de uma causa que começa dentro de casa, mas não termina nela.
Meu filho mais velho, hoje com 16 anos, cresceu ao mesmo tempo em que eu aprendia a ser mãe. Com ele, vieram as primeiras inseguranças, os medos e também as descobertas. Já o mais novo, com 9 anos, me ensinou uma maternidade ainda mais intensa, aquela que exige paciência redobrada, persistência e uma coragem que eu nem sabia que existia em mim.
Mas existe algo que une toda essa trajetória: a luta.
Luta por acesso à saúde, por terapias, por respeito, por inclusão. Luta para que meus filhos sejam vistos, ouvidos e tenham oportunidades reais. E, com o tempo, essa luta deixou de ser só minha.
Percebi que existiam muitas outras mães vivendo histórias parecidas, enfrentando as mesmas dificuldades, sentindo o mesmo cansaço. Foi aí que entendi que minha maternidade também era coletiva. Que a minha voz podia ecoar por outras famílias.
A partir disso, comecei a acolher, orientar e caminhar junto com outras mães. Não porque eu tinha todas as respostas, mas porque eu conhecia a dor e sabia o quanto faz diferença não se sentir sozinha.
A maternidade real é sobre isso: não desistir, mesmo quando tudo parece difícil. É seguir em frente mesmo cansada. É chorar escondido e, ainda assim, levantar no dia seguinte com força para continuar.
Também é sobre amor. Um amor que não é perfeito, mas é resistente. Um amor que aprende, se adapta e cresce todos os dias.
Ser mãe me ensinou que nem tudo depende só de nós, mas também me mostrou que podemos transformar realidades quando nos unimos. Hoje, minha história não é apenas sobre criar meus filhos. É sobre abrir caminhos, quebrar barreiras e lutar por um futuro mais digno para eles e para tantas outras crianças.
Essa é a minha maternidade. Sem filtros. Sem romantização. Mas cheia de verdade.
E, acima de tudo, cheia de propósito.
Por Janny Silva – @jannysilva.oficial





