Muito se lê da importância da rede de apoio na maternidade, do coletivo fundamental, do senso de comunidade. Você sente um ato de forma singela?
O “Dar conta de tudo”, o equilíbrio dos pratinhos, mesmo trincados, aumenta não só a sensação de culpa, como também a idéia de individualidade, aumenta a dificuldade de pedir ajuda e a sensação de fracasso, quando se pede.
Vai lá e lava uma louça PRA ELA!
Vai lá e deixa o almoço pronto!
Vai lá e varra uma casa PRA ELA!
Lave uma roupa!
Enfim…
A rede de apoio romantizada e distante (ao meu ver) se centraliza nos afazeres domésticos. Sou mãe 3X, e no meu segundo puerpério, o pior dos 3, me via o tempo todo perdida no meio de tanto choro inconsolável, uma cefaléia que me tirava de órbita, as noites que pareciam dias ininterruptos, um período de caos e horror, onde você luta contra pensamentos sombrios que nem sabia da existência.
E mesmo nesse turbilhão de conquistas e oscilações hormonais, a “rede de apoio” era padronizada.
Eu não tinha apoio diário, mas, quando tinha, continuava com a sensação de não ter.
Por quê?
Porque eu queria ouvir as simples perguntas:
“Como eu posso te apoiar hoje?”
“Qual seu desejo?”
Juro!
Eu pediria pra ficarem com minha bebê para que eu pudesse ter a sensação de utilidade além de amamentar, ninar e chorar. Eu mesma lavo a louça, posso ir ali na padaria da esquina enquanto dão colo a ela, posso preparar um café, a minha necessidade estava dentro da perda de me encontrar fazendo o básico, que vira uma crise de abstinência.
Com isso, com o tempo, muita reflexão, me pego analisando as pessoas que supostamente vêm como rede de apoio, e o seu discurso para que não se sintam culpabilizadas, ou seja, um falso apoio.
Apoio sem escuta é falácia.
Fazer para alimentar o meu ego, para me sentir um “bom” ser humano, para não me sentir culpada pela distância, por exemplo.
“Olha! Não posso estar aí para lavar sua louça, mas tô te ligando de vídeo sempre, né?! E o assunto central é: Como está a bebê?”
“Ela dorme bem?”
“Teve cólica?”
E quando você ousa dizer: Nem almocei ontem, foi um dia difícil.
Você escuta: “É assim mesmo, depois tudo vira saudade, aproveita!”
Eu não quero o depois, eu NECESSITO do hoje, porque é na semeia do hoje que colho um depois com qualidade pra mim e pra minha filha.
A Rede de apoio, nos detalhes, é apenas uma rede de “já fiz minha parte “, ela não tem do que reclamar, e se é normal ouvir “Quem pariu Mateus que o embale” você simplesmente agradece a louça lavada, e normaliza a lombar continuar a queimar.
Já que o bebê é da mãe, e só quer a mãe (assim se permeia).
Talvez se a rede de apoio fosse presente na interação com o bebê, ele criaria mais uma rede de segurança, e com isso, sim, a mãe teria o verdadeiro apoio, e não apenas outras mulheres reforçando um patriarcado onde a mulher têm que cuidar e manter a casa impecável.
Ter um olhar apenas para serviços domésticos, não é apoiar uma mulher que deseja apenas enviar um e-mail enquanto acalentam seu bebê.
A base de qualquer relação é a escuta.
Se não há diálogo, não há apoio, em nenhum caso de vulnerabilidade.
Por Natália Duarte – @nataliaduartemkt





