Quando eu me tornei mãe pela primeira vez, eu senti a maior alegria do mundo. Durante a gestação eu tive dificuldade em aceitar que ia me tornar mãe. Minha gravidez não havia sido exatamente planejada. A realidade só se fez presente para mim, quando peguei meu filho nos braços. Nesse instante eu entendi que sim, era possível sentir a maior alegria e a maior tristeza do mundo ao mesmo tempo.
Eu chorava de alegria por ter ele na minha vida e chorava de tristeza em saber que minha vida nunca mais seria a mesma; eu, nunca mais seria a mesma. O bebê não havia transformado só o meu exterior, mas tudo em mim estava diferente. Meu organismo respondia aos comandos dele. O choro dele fazia o leite vazar dos meus seios e eu sentia uma necessidade visceral de protegê-lo, acalmá-lo, nutri-lo…
Em meio a tudo isso, eu não sabia mais dizer quem eu era. Onde eu estava naquilo tudo? As pessoas pararam de me chamar pelo meu nome e eu virei a “mãe do meu filho”. E antes eu, que sabia exatamente quem eu era (ou achava que sabia), não cabia mais nas minhas roupas, não conseguia mais usar brincos, colares. Tudo me apertava, me incomodava, o bebê puxava…
Eu posso dizer com muita propriedade que a maternidade é uma explosão de sentimentos, sensações e impressões mais forte do que qualquer coisa que eu já senti na vida. E olha que eu já vivi muita coisa. Perdi meu pai, meus avós, deixei minha família em outro Estado, mudei de país, passei necessidade… Mas nada se compara à transformação violenta que é ser mãe.
Sim, vou usar palavras fortes porque se tornar mãe é uma experiência forte, violenta e intensa. E ninguém me preparou para ela. Ninguém podia, hoje eu sei. Era impossível me dizer o que é a maternidade simplesmente porque as palavras são incapazes de descrevê-la. A melhor analogia que eu achei até hoje foi a borboleta. A borboleta, que antes era lagarta, se encasula e transforma-se em borboleta. Mas a borboleta continua sendo um só ser. E ela tem todo o tempo do mundo para tentar entender o que aconteceu consigo mesma. Nós, pelo contrário, estamos nos equilibrando entre sonecas, mamadas, resguardo, e dores das mais diversas ordens.
Mas calma! Não me crucifique! Eu já falei aqui que amo meu filho (meus filhos, pois é fato que tenho dois), mais que tudo nesse mundo. E eu não quero dizer aqui “mulheres, não tenham filhos!”. Quero apenas dizer que quando a gente se torna mãe tem que se preparar para entender, na prática, que a gente controla muito pouca coisa. Que a gente não controla, na verdade, quase nada, nem o nosso próprio corpo. E que a gente podia estar vivendo a vida numa linha reta antes, mas que agora vai ver ela se tornar uma montanha russa cheia de loopings.
E o mais difícil, se é que é possível escolher uma coisa só, é que não temos tempo para entender o que está acontecendo, porque a maternidade é um furacão sem olho.
Por Drixz – @drixz_ilustra





