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Às vezes eu olho no espelho e peço ajuda. Enxergo ali uma mulher forte, mas cheia de cansaço. Uma mulher determinada, mas cheia de medos. Enxergo uma mulher sonhadora, mas cheia de anseios. Olho para aquele reflexo e me imagino me dividindo em duas mães.

Dividir as responsabilidades. Dividir os medos. Dividir as noites mal dormidas (essa mamada da madrugada é com você, na próxima eu vou, tá?). Dividir o cansaço mental. Dividir as máquinas para lavar a roupa suja. Dividir todas as dores maternas. Mas aí, quando penso em dividir as dificuldades, me dou conta de que não seria justo com uma mãe ficar somente com a parte mais difícil.

Eu também teria que ceder a metade dos colos. A metade dos bafinhos de leite. A metade dos cheiros no cangote. A metade dos olhares, dos sorrisos, dos abraços, dos carinhos! Nessa hora, já estou quase desesperada de ter que abrir mão de tanta coisa boa. E se não bastasse me dou conta de que dividiria também a minha maturidade, a minha garra, a minha superação, a minha força! Nããão, chega, não quero mais dividir!

E nesse emaranhado, vem a pior fase dessa brincadeira (já de mal gosto) de ter que dividir o amor incondicional que sentimos pelos nossos filhos. O amor que nos engrandece, nos cura, nos transforma! Agora, já estou implorando para que aquele reflexo nunca deixe de ser apenas um reflexo. Já estou até me achando com uma carinha melhor. Nem estou tão cansada. Esse coque nem está tão descabelado. Esse sono pode esperar mais um pouquinho.

Está tudo bem, e o que não está tão bem passará e, em seguida, estará. E depois de acertadas, eu e meu outro eu, chego à conclusão que a mãe é sempre feita na medida. E não há maior gratificação do que nos acolhermos com nossas qualidades e defeitos, acolhermos nossas glórias e desordens de maternar e nos entregarmos para todo o amor que reflete de nós. E como reflete amor dessa mãe! E como!

Texto: @maos.de.mae por Victória Moraes

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