Há dias em que pouco importam as circunstâncias: mãe merece descanso.
Não um instante — um descanso mesmo, daqueles tipo “spa”, com massagem, banho de banheira, velas aromáticas, cama aconchegante e um drink (ou café).
A pausa é necessária. Porque, se a mãe parar porque deu pane, nada funciona. A roupa não encontra o caminho da lavanderia (muito menos do ferro de passar); as tarefas escolares viram um caos; as refeições se tornam fast-food, na certa! As brigas entre irmãos não cessam com um olhar; não há penteados em dias comuns, muito menos um lanche reforçado após a aula.
Quem é que vai receber a florzinha acompanhada de beijo babado?
O mundo esquece da humanidade de uma mãe — julga e condena a cada saída do script, que muitas vezes ela não pôde nem opinar, apenas seguiu.
Essa carta é para você, mãe, que por algum motivo está desanimada ou estarrecida pela árdua tarefa de educar, ser exemplo e sorrir, mesmo estando quebrada por dentro.
Abra um livro, faça aquela receita de que tanto gosta!
Dance!
Faça suas orações — ou grite alto, como quem se despe de tudo que há aí dentro.
Eles até podem se esquecer da sua humanidade, mas você não!
Dê uma pausa. E lembre-se: você não precisa carregar o mundo!
Mães pretas carregam desafios diários que nem sempre são vistos — camadas que atravessam a rotina, o cansaço e até a forma como o mundo as enxerga. Ainda assim, entre tantas realidades, há algo que nos aproxima: o peso e a beleza de sustentar o que não pode parar. Porque, embora uma não viva a vida (e os perrengues) da outra, essa linha que nos atravessa se torna tênue, nos aproxima e faz com que o mundo siga.
Uma salva de palmas a todas aquelas, por maior ou menor vocação que tenham. Que tais palmas ecoem e façam o barulho necessário para ensurdecer ou calar aquilo que paralisa, inebria e ofusca o brilho singular que existe aí dentro.
E uma salva de palmas em especial às mães pretas, que enfrentam, além das exigências da maternidade, os desafios raciais e sociais que atravessam suas trajetórias, e ainda assim seguem de pé, sustentando, resistindo e cuidando.
A cada uma de vocês, um singelo desejo de dias melhores. E, quando eles surgirem, celebrem-nos!
O mundo não pára, mas você pode.





