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Certa vez em viagem com a família para águas termais, onde os frequentadores, em sua maioria, eram excursões de idosas, quase todas mulheres, sentada próxima delas ao entardecer.

Fiquei a observar um grupo muito peculiar, com risos largos e passos firmes de quem nem está cansada da jornada e nem tem pressa de chegar. Elas eram diferentes das muitas que já havia conhecido. 

Pedi para me aproximar e afirmei: Vocês são legais demais, me conta aí o segredo? Uma delas, muito bem humorada, mencionou a viuvez, outra encarou reprimindo e elas caíram na gargalhada. 

Um jeito envolvente de sorrir sem pudor. Estavam ali sentadas e afastadas das demais, porque queriam beber mais uma dose de gim e as outras amigas paulistas poderiam julgar. 

Eu sei que a leveza é exercício diário, mas gostaria muito de chegar um dia daquele jeito em algum lugar, só para usufruir da gargalhada talvez, ou de mais uma dose de gim. 

A mulher que se aposenta no agora, deve saber que a contemporaneidade a coloca no meio da idade e não mais próxima do fim. Portanto, deve se ater a observar sua energia vital que antes investida ao seu papel principal, agora deve se ressignificar em um novo projeto para si. 

Quanto mais auto-observado e planejado, mais fácil de ser introjetado e o novo surgir. Muito cuidado com as armadilhas do patriarcado que podem te exigir respostas ao invés de escolhas próprias! 

A jornada interna é solitária, vai ter energia de sobra, e se a vontade não for imposta de fora, nada poderá te impedir. A mulher que assim se aposenta, o triste se ausenta por longas horas até o fim.


Autora: Juliana Melo de Paula, escritora, autora do livro infantil: Tucarante, Psicologa, especialista em psicologia da saúde e junguiana, mãe de Bernardo, Caetano e Luisa. Instagram: ju_devaneiosnossos.

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