Parabéns pra nós, filho!

A touching black and white photo capturing a tender moment between a mother and her baby.

Oi, meu filho! Hoje você completa um mês de vida fora do útero. Desde que você chegou em casa, naquela sexta à noite, eu me descubro, a cada dia, uma nova mulher. Cada vez mais forte e aprendendo a ser sua mãe. Estamos nos conhecendo e eu te amo incondicionalmente há muito tempo. O puerpério está sendo mais tranquilo do que imaginava, até então. A dificuldade está sendo com dores físicas na lenta recuperação pós-parto; ainda sinto dores e incômodos, mas em breve isso passará: “isso também passa”. 

Já está tudo diferente daquela sexta-feira em que cheguei com dores, sangrando, leite pingando. Seu tio estava aqui; você ficou encarando-o no sofá. Você chorava e a gente não sabia muito o que fazer. Me lembro de que, nos primeiros dias, consideramos a possibilidade de ser cólica. Pais de primeira viagem que somos, não sabíamos que cólicas tendem a aparecer por volta da terceira semana. Agora sabemos que, muitas vezes, utiliza-se o termo “cólica” de forma genérica para um momento de algum desconforto da criança. Aprendemos que, para a hora da bruxa (ou da fada, nome ressignificado), precisamos ser criativos e inventar formas, partindo do pressuposto de que são processos normais para um bebê que vivencia a exterogestação — sim, são inúmeros os termos que aprendemos involuntariamente nessa avalanche de significações da maternidade. 

Você dormiu no berço do seu quarto nos primeiros dias e nós dormimos na cama ao lado. Foram madrugadas em claro: me lembro de chorar de sono e cansaço, ombro e pescoço ficavam rígidos, ainda doía para amamentar. Hoje sabemos que o principal motivo do seu choro é quando você quer mamar. Ou quando, na famosa “hora da fada”, precisa de atenção ainda mais de perto. As madrugadas já são bem mais fáceis: desde que instituímos a cama compartilhada, não preciso levantar pra você mamar e são várias as vezes em que você mama deitado e adormecemos juntos. Algumas (várias) vezes, acordava desesperada te procurando. O reflexo materno realmente funciona como dizem. 

Você faz muitos barulhos enquanto dorme, emite uma espécie de ronquinho ao respirar, tem reflexo com as mãozinhas como se pedisse a alguém pra te segurar. No quarto, colocamos uma luz vermelha; li que ajuda a não acordar à noite. Estou com muita produção de leite; às vezes acordo à noite espirrando, com a cama e o corpo molhados pelo vazamento. Amo os sonzinhos que você faz enquanto mama, um som de alívio e satisfação por estar mamando. Você também franze a sobrancelha e revira os olhinhos, e eu amo isso. Temos uma boa rede de apoio; amigos e familiares se juntaram para fazer a Seva. Durante aproximadamente os primeiros 40 dias da sua chegada seguiram enviando almoço para nós dois, cuidando da gente para podermos cuidar de você com qualidade. Receber este carinho está sendo muito importante para a nossa saúde física e mental neste período. Além disso, suas avós e sua tia estão vindo uma vez na semana arrumar a casa. Mulheres e suas disponibilidades aprendidas ao cuidado. Meu filho também vai aprender a cuidar. 

Senti e sinto muito medo. De tanto amor, vem o medo. De que algo aconteça, de que eu te perca. Não sei quantas vezes vi e revi sobre a manobra de desengasgo. Pensamentos intrusivos me atacam frequentemente. Às vezes, me sinto sufocada com esse amor avassalador e estrondoso.  Vejo beleza no caos, vivemos cada dia diferente um do outro. Você veio pra mudar o curso do rio e é preciso deixar transbordar. Sei que estou vivendo o agora, inteira nessa experiência. Para comemorar esta data, cantamos parabéns com um mini-bolinho que sua vovó enviou. O primeiro mês do início das nossas vidas.

Autora: Bianca Moraes

Revisora: Micaela Queiroz Redondo

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