Mães guerreiras

A close-up image of two people holding hands, conveying unity and support.

Quando penso na maternidade, começo agradecendo à dádiva suprema de ter podido estreitar minha mãezinha em meus braços por mais de cem anos. E continuo a agradecer pelo dom incomparável de ter sido mãe de três filhos tão especiais, cheios de talentos, amorosos e dedicados à família. Não posso deixar de ser reconhecida pela oportunidade de ser “mãe com açúcar” dos meus netos, meus sete anjos, que me reciclaram no cuidado com crianças e me devolveram a infância dos filhos.

Agora, as muito santas que me perdoem, e as mais humanas sei que me entenderão, penso que o primeiro passo para que nos livremos do complexo de culpa, que trazemos arraigado, é nos aceitarmos como gente: comuns, cheias de falhas, de sonhos e de frustrações. Sei que, quase sempre, somos muito bem-intencionadas e tentamos nos aproximar, mesmo a duras penas, do protótipo da supermãe. Só que, às vezes, não conseguimos conciliar nosso lado mulher com o lado mãe sem que um deles seja anulado ou prejudicado. É nesse momento que precisamos estar muito conscientes do que somos e do que pretendemos, para que não nos deixemos massacrar nem cometamos uma autoflagelação desnecessária e cruel contra nós mesmas.

Nossos filhos, mesmo nas horas mais trabalhosas, são, sem sombra de dúvida, as pessoas que mais amamos. Quando estão limpos, comportados e com boas notas na escola, compensam toda a dedicação, os sacrifícios e as renúncias que todas nós, algum dia, nos vimos obrigadas a fazer, esquecendo, muitas vezes, que também temos o direito de ser gente, ser mulher, ser dona de nós mesmas e não apenas a “pedra fundamental” da família. Por que não reconhecer que sentimos raiva daquela baderna infernal, no exato momento em que o livro que estamos lendo chega à parte decisiva, no capítulo mais emocionante da novela, no solo do nosso instrumentista preferido?! Não creio que se ame menos porque reclamamos do banheiro molhado, das orelhas mal-lavadas, dos maus modos à mesa. Nem é pecado mortal mandá-los brincar no pátio quando estamos de “saco cheio”. Afinal, não somos super-heróis! Nós os colocamos no mundo, os amamos e cuidamos; entretanto, não podemos esquecer que também fazemos parte do mundo e precisamos nos gostar, nos promover.

Lembro, então, de todas as mães, mesmo as menos reconhecidas. Porque sei que quase todas priorizam os filhos na vida, não permitem que nada ameace sua prole, enquanto seus braços e seus olhos puderem alcançá-la. Lembro, também, das mães que colam um sorriso no rosto ao lado da cabeceira do filho doente, passando a força e a alegria de que ele necessita, embora estejam destruídas por dentro. Peço que Deus sempre acompanhe as mães que receberam seus filhos com alguma necessidade especial e que, vencido o primeiro momento, souberam amá-los e protegê-los com um carinho só delas. 

Não esqueço das mães batalhadoras, que madrugam para dar conta de duas ou três jornadas de trabalho, a fim de que possam suprir as necessidades dos filhos e acompanhá-los produtivamente na escola e na vida. Gostaria de dar um reconfortante abraço às mães que perderam seus filhos para as drogas, para a violência urbana ou para as tragédias que não puderam ser evitadas. E parabenizo as mães adotivas, que multiplicaram seu amor com os filhos de outras mulheres e salvaram uma criança do abandono e da solidão. Nesse abraço encontro também os pais, que se desdobraram para ser pais e mães de seus filhos, biológicos ou adotados, fazendo com que mais crianças possam usufruir de um lar e de ensinamentos para a vida.

Merece todo nosso reconhecimento a mãe que estuda junto, que oferece livros e ensinamentos, sendo parceira em cada desafio estudantil ou profissional do seu rebento. Também as mães que não se deixam envolver pelos modismos, sempre passageiros, e cultuam valores e hábitos perenes em seus filhos, como o respeito, a educação e o amor pelos livros.

Um beijo de compreensão às “mães corujas”, que possuem um coração doce e flexível, capaz de abrigar um filho e uma família inteira, e que, compreensivelmente, acham que seus filhos são os mais lindos e inteligentes do mundo!

Certamente, as mães sempre ocuparam e ocuparão um lugar especial no coração dos filhos. Merecidamente!

Autora: Maria Luiza Vargas Ramos – @marialuizavargasramos

Revisora: Yhasmin Viriato

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