Na última parte do meu sonho, eu entrava em um quarto comum, era pequeno, fazia calor, havia várias mães com filhos de diferentes idades, todas eram brancas ou pardas, além estava meu filho de 16 anos. Uma mãe com vestido cinza e cabelo despenteado estava amamentando e tinha algumas bananas da prata na mão, as crianças pediam insistentemente bananas para ela, eu dizia uma piada para que a deixassem em paz, ela meio que se surpreendia, ria e concordava.
Todas as mães comentavam os desafios que tinham e o quanto estavam cansadas, eu comentava que já havia passado por tudo isso e que agora estava tranquila, olhava para meu filho, sorríamos e ele dizia “é verdade”. Eu compartilhava que talvez o que mais me custou foi entender que estava sozinha, que ser mãe é estar sozinha, algumas afirmavam, outras perguntavam, como assim?. Eu lhes explicava que sempre que dizia para o pai de meu filho que nos separássemos, ele insistia em tentar, em continuar juntos, no começo eu acreditava nele, ou me sentia lisonjeada porque ele queria “tentar” continuar juntos, mas depois percebia que estava sozinha no corre do dia a dia, em cuidar de meu filho, em aproveitar o gostoso do tempo de bebê, em compartilhar os sentimentos que tudo isso trazia e em tom de píada falava que para isso prefiro estar sozinha e não ter que cozinhar para três, arrumar a cama dele etc., então a gente se separó, nós ríamos com complicidade. Uma comentava que tinha tido apenas 18 dias para aprender a amamentar antes do parto, eu pensava que eu não tinha tido nenhuma preparação para amamentar.
Entrava uma mãe preta com uma filha de uns sete anos, com vestido cinza e xadrez. A menina tinha que descrever um personagem para um trabalho da escola, eu propus para ela descrever seu vestido, a textura, o peso do tecido, a cor, a figura que formava nela e mais, ela olhava com interesse e percebia que assim podia dar qualidade à sua descrição.
As mães começavam a ir embora com seus filhos, eu pensava em dizer-lhes que na verdade eu estava acompanhada pela lembrança do meu filho, que ele na verdade não estava aqui agora, mas saíamos em silêncio com ele e chegávamos à casa onde eu estava morando, para nos deitar, eu me sentia muito feliz de compartilhar a casa com ele.
Por María Delia Arellano Jiménez – @delia_arellano_jimenez
Salvador BA, junho de 2024





