É… eu estou cansada.
O problema é que eu não posso estar.
Eu preciso dar conta de tudo.
Da casa.
Dos filhos.
Do trabalho.
Do casamento.
Da vida social que quase não existe.
Lá fora dizem que eu sou forte.
Que tenho garra.
Que aguento.
Mas eu não me sinto forte.
Eu me sinto desmoronando por dentro.
Às vezes eu queria não dar conta.
Sim, eu queria não ter que resolver nada.
Eu deito e a minha cabeça não desliga.
Ela continua pensando e organizando.
Antecipando problemas que talvez nem existam.
Parece que vai explodir.
Hoje eu acordei cansada.
E continuo cansada.
Estou jogada nesta cama.
A mesma que eu deveria ter arrumado.
Mas hoje eu decidi que não vou.
Não vou fazer.
Não vou me culpar.
Não vou sustentar o mundo nas costas.
Hoje o mundo que funcione sem mim!
Fiquei pensando…
Quando foi que eu aprendi que precisava dar conta de tudo sozinha?
Quem me ensinou que precisar é fraqueza?
Quem disse que eu queria ser essa mulher “inquebrável”?
Hoje eu pedi ajuda.
E o mundo não acabou.
A casa continuou de pé.
As crianças continuaram rindo.
O dia continuou acontecendo.
Talvez eu nunca tenha precisado ser forte o tempo todo.
Talvez eu só tenha aprendido cedo demais que não podia cair.
Mas hoje eu deixei a louça na pia.
Deixei a cama desarrumada.
Deixei o controle escapar pelas mãos.
E não corri para reconstruir.
Fiquei ali.
Cansada.
Humana.
E entendi algo que ninguém nunca me disse.
O mundo não precisa da minha força constante.
Eu preciso de cuidado.
Preciso de descanso.
Preciso de ajuda.
Preciso de mim.
Hoje não fui a mulher que aguenta tudo.
Hoje fui a mulher que se escolheu.
E essa foi a coisa mais forte que eu já fiz.





