Maio chega enfeitado de flores, promessas de café na cama e comerciais cuidadosamente roteirizados, que tentam traduzir o amor materno em poucos segundos. As vitrines se enchem de cor, os anúncios falam de gratidão e os discursos repetem a ideia de que ser mãe é sempre uma experiência completa, feliz e celebrada. Mas há maternidades que não cabem nesse enquadramento perfeito. Para muitas mulheres, o segundo domingo de maio não é sinônimo de festa. É silêncio. É ausência. É um lugar vazio à mesa que ninguém sabe muito bem como mencionar.
Há a mãe que perdeu o bebê antes mesmo de ouvir o primeiro choro, que construiu sonhos inteiros em poucos meses e depois precisou aprender a viver com o vazio. Há também a mulher que não conseguiu engravidar, mas que, todos os dias, gesta amor em outras formas: no cuidado, no afeto, na entrega invisível. Existe a mãe atípica, que vive em estado constante de atenção, que aprendeu que o desenvolvimento do filho segue outro ritmo, mais delicado, mais profundo, mais desafiador. E há a mãe que enterrou um filho e segue vivendo, reinventando a própria existência, materna na saudade, no amor que não tem mais presença física, mas nunca deixou de existir.
Maternar não tem uma única forma, nem um único roteiro. Não é uma experiência uniforme, nem previsível. Existem mães de braços vazios e mães de colo cheio. Mães que sorriem em público e choram em silêncio. Mães que vivem a exaustão da rotina e aquelas que enfrentam o peso do luto todos os dias. Toda maternidade é legítima, mesmo quando não é compreendida, mesmo quando não é celebrada.
A culpa, tão frequentemente imposta às mães, não protege ninguém. Pelo contrário, ela isola, machuca e aprofunda feridas. O que sustenta é a rede, o apoio real, o olhar empático, a escuta sem julgamento. Julgar uma mãe, qualquer que seja sua história, só amplia a dor. Acolher, por outro lado, cria espaço para que ela continue.
Neste Dia das Mães, é importante lembrar que nem todas vão receber flores, cartões ou abraços. Algumas receberão memórias. Outras, saudade. Outras ainda, a força silenciosa de seguir adiante mesmo quando tudo parece pesado demais. Nenhuma mãe deveria carregar sozinha o peso da perda, da tentativa frustrada ou da rotina exaustiva. O cuidado precisa ser coletivo, compartilhado, humano.
Se você conhece uma mãe que perdeu um filho, que tenta engravidar ou que vive a maternidade atípica, não ofereça respostas prontas ou julgamentos disfarçados de conselho. Ofereça presença. Um gesto simples, uma escuta verdadeira, um silêncio respeitoso podem significar mais do que qualquer palavra.
A todas as mães que maternam na saudade, na espera e na diferença: todo o respeito. E, quando as palavras não forem suficientes, que haja silêncio, mas um silêncio cheio de empatia, de reconhecimento e de amor.
Por Daiane Katiuscia – @bemestarematernagem





