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Há tempos venho notando a popularização do termo “narcisismo”. Percebi quanto o tema estava ganhando tamanho e formas diversas nas mais variadas falas e veículos que encontrava por aí. Tal situação me despertou interesse e então fui me debruçar sobre o assunto. Entre artigos, reportagens, blogs e vídeos, me deparei com discussões sobre o narcisismo relacionado à sociedade moderna e nosso modo de vida atual, o que é de muita relevância e significado, mas para além disso e de outras instâncias, fui apresentada ao universo de materiais relacionados às Mães Narcisistas.

Na imensidão dos conteúdos encontrados, entendi que se estava sendo produzido tanto sobre o assunto por conta da grande demanda consumidora do tema. Esta, esfomeada por conhecimento e angustiada na procura de respostas e de auxílio, me incentivou a escrever uma série de textos, que serão publicados semanalmente, onde seja possível elucidar pontos importantes que questionem, ajudem, alertem e acolham.  Sem me aproximar dos textos técnicos e nada acessíveis e, diferente dos textos superficiais e imediatistas que estamos acostumados, buscarei me aprofundar na temática por perceber a sua riqueza, importância e relevância aos que buscam sobre o assunto. É por isso que escrevo esses textos e é especialmente para essas pessoas que dedico minhas palavras.

Falar sobre maternidade é se jogar num mar de inquietações e se abrir à complexidade. Tema difícil por ser tão cercado de idealizações, mitos, desejos, tão envolto na subjetividade humana, carregado de construções históricas e culturais, e tão enraizado na nossa existência. Discutir a maternidade nos propicia mergulhar no que é mais fundo em nós, nossa constituição. Pensar sobre isso é se colocar num lugar de questionamento, tendo que enfrentar e/ou romper com paradigmas que nos ensinaram e alimentaram pensar na maternidade como algo divino, santificado, repleto de amor e devoção, mas essa não é a realidade e precisamos falar sobre isso.

A maternidade coloca as mulheres frente a sua própria existência, como um retorno ao que foi vivido na sua história e vivenciado internamente. A relação primal entre mãe e filhx é de extrema e fundamental importância; é base para o desenvolvimento psíquico da criança, o que rege seu crescimento e gera marcas que serão levadas para o resto de sua vida. Então, vemos na maternidade, a relação de um ser que se depara com questões existenciais, sendo responsável pelos cuidados primordiais de um ser em constituição. Percebem a complexidade desse encontro? 

A partir daí podemos entender qual a dimensão ao falar sobre mães narcisistas. É falar sobre toda a obscuridade, aqui inicialmente apresentada, da maternidade, de saúde mental, patologia e sofrimento. Temas esses que quando unidos, causam estranheza e distanciamento de algo que é preciso olhar atento para não nos afundarmos no desconhecimento e assim darmos as costas para feridas e dores que podemos cuidar.

Pouco a pouco, no decorrer dos próximos textos, nos aproximaremos da concepção de narcisismo, sobre as mães narcisistas, seus filhos e tantos outros conceitos e informações que nos darão base para pensarmos juntxs e assim seguirmos no caminho do conhecimento e do cuidado.

Até a semana que vem! 

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