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No último mês, tivemos a feira do livro da minha cidade. Conheci pessoalmente o autor Daniel Munduruku. Eu o ouvi, conversei rapidamente com ele, trocamos um abraço de lado, reservado, de máscaras: que bom momento.

Sua fala durou pouco mais de uma hora para uma pequena e gentil plateia distanciada pelas condições atuais que ainda não dispensa cuidados. Eu o ouviria por muito mais tempo se  fosse possível. Sua voz calma, sua sabedoria, seu olhar acolhedor, sua gentileza nas palavras… Enfim, Daniel Munduruku é alguém com quem aprendemos pelo que conta, analisa e nos apresenta: um indígena com muita história boa para contar e ensinar.

Sua escrita nos oferece um mundo que tentou ser apagado pelos “civilizados” e que com uma grandeza de quem ama a vida conta com firmeza sobre seu povo que é também nosso povo. 

Quanta atenção é dedicada às crianças em sua fala, quanto respeito pela infância. A cultura indígena tem muito a nos ensinar e precisamos trazer seus saberes para nossa casa, nossas leituras e escolas. 

Minha filha ficou encantada em conhecer o autor de Kabá Darebu, o livro de que tanto gosta. Ficou várias vezes perguntando se era mesmo o Daniel Munduruku. Como aquele que escreve pode ser maravilhosamente um inventor de histórias incríveis e ser humano como a gente? Que experiência boa ela ouvir casos e histórias além da que conhecia deste autor e perceber que nós podemos contar e escrever histórias porque somos humanos. Todos temos a possibilidade de escrever e ser, mas o modo como acolhemos nossas crianças fará com que acreditem ou não nisso.

Para finalizar este breve relato e também este ano, deixo os versos de Eliane Potiguara que nos fortalece como leitoras, mulheres e mães em busca de dias melhores e com mais diversidade neste mundo de sofrer, viver e aprender:

Esperança

O que é da vida?

Se sofremos…

Se choramos…

Por que não sorrir?

E deixar o rio de mágoas

Que nos sufoca.

Secar ao sol da esperança

Da vontade de viver…

Da vontade de nossa terra.

Eliane Potiguara em “ Metade cara, metade máscara”,

 2019, p.141.

Que possamos aprender que livros, diálogos e natureza ensinam muito e também fortalecem nossas lutas diárias,  por um lugar mais diverso e equilibrado.

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