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Minha filha está quase andando, e eu não tenho pressa. Ela está matriculada na escola, e eu não tenho pressa. Ela vai poder comer da nossa panela, e eu não tenho pressa. Ela está precisando cortar o cabelo, e eu não tenho pressa. Ela nunca escovou os dentes, e eu não tenho pressa. Ela vai completar um ano, e eu não tenho pressa.

Comemoro cada conquista, mas me perco no seu pequenino passado a cada sorriso banguela. Nascer, engatinhar, comer, andar é um caminho sem volta, e eu me pego querendo voltar para sentir novamente seu nascimento, seus passos, suas descobertas.

Ela está quase completando um ano e ela também não tem pressa. Passa um tempão tirando e colocando objetos de uma caixa. Come cada migalha, sem pressa. Pega na minha mão e faz o mesmo percurso, mil vezes. O tempo é só passagem que ela segue sem pressa.

Percebo que não sei viver o presente. Como o tempo do relógio marca o tempo da vida! Ou já fomos, ou iremos, mas nunca estamos. Os bebês só conhecem o agora, e sem pressa, eles vivem. Temos pressa de dar comida, arrumar a casa, ir trabalhar. Enquanto eles brincam, a gente recolhe os brinquedos. E quando eles dormem, a gente olha fotos e tem saudade de quando eram menores. Não é o tempo que tem pressa, é o relógio que comanda e impede de viver o presente.

Ao lado da minha bebê, vou aprendendo a viver cada descoberta, aprendizagem e tentando me deixar levar pela sua calma e sua enorme sabedoria de viver o presente, sem pressa.


Autora: Jessica Marzo, feminista, escritora, cientista social, mãe da Ceci e da Amora que me ensinam, no meio do caos, a olhar para as delicadezas da vida. Instagram: @jemarzo

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