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A cena é a seguinte: Todos sentados a mesa, a comida quentinha e a fome grande. Todos se servem e começam a comer calmamente. O filho pequeno chega, choroso, aquela manha típica de sono. Você tem duas opções: Fazê-lo dormir ou engolir a comida sem nem sentir o gosto ao som de um resmugo pouquíssimo confortável. Você levanta, deixa a comida esfriando e leva a criança.

Depois de finalmente fazê-lo adormecer, volta à mesa. Todos já alimentados, impacientes, aos poucos se levantam e você fica sozinha, ou melhor, na companhia da comida fria.  A cena é a seguinte: Aqueles dois casais de amigos que você adora e não vê há tempos vão na sua casa.

Todos se acomodam na sala, cada um com sua bebida e começam a discutir as principais fofocas de celebridades (que você adora). Na melhor parte, o filho chega e pede que você brinque com ele de carrinho. Você não quer, ele insiste, você é firme, ele começa a chorar, você cede! Se levanta, vai até o tapete e entre um dialogo e outro entre os motoristas tenta escutar um pouco da fofoca. Não dá! Você desiste.

Eles dão risadas e você adoraria saber o motivo, mas a brincadeira tem que continuar. A cena é a seguinte: Uma roda de amigos, todos falam sobre a nova vacina contra o covid. Um médico esta na turma e você esta louca para ouvir o parecer dele sobre o assunto e então, quando ele começa a falar, o bebê resolve correr em volta da piscina.

Você estica o braço, como se ele tivesse 5 metros e fosse conseguir alcança-lo a distancia, mas é que você realmente gostaria de participar do papo. Na esperança, você espera que alguém da roda, além de você, veja o perigo e levante antes… nada. Todos estão focados no assunto. Você levanta, evita que a criança caia, mas perde justamente a parte sobre a eficácia da vacina. Quando volta, já mudaram o tema da conversa para o jogo de domingo. Aos poucos a gente vai desaprendendo a socializar.

Aos poucos, as reuniões se tornam uma grande tortura: sabemos que teremos vontade de participar, mas algo (ou alguém) vai nos impedir e por isso, por tantas vezes, não queremos! Eles são fofos, são lindos, são donos de todo nosso amor, mas a forma como nos consomem e nos privam – de tantas coisas – chega a ser sacanagem! 

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Mães que Escrevem.


Autora: Meu nome é Paola Guaraná, tenho 32 anos e sou formada em jornalismo. Trabalhei quase 10 anos na área, mas abri mão do trabalho quando meu segundo filho nasceu, em 2019. Sou mãe do Mateus, de 5 anos, do Lucas, que completa 2 em agosto, e estou grávida de 8 meses da Julia, que também nasce em agosto. Sempre gostei muito de escrever e desde que me tornei mãe virei meio “monotemática”. Encontrei na escrita uma forma de externar todas as dores e as delícias da maternidade. =) . Instagram: @paolaguarana.


Este texto foi revisado por Viviane Moreira.

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