Mulheres-mães protagonistas da própria história

ESPECIALISTA | Você gostaria de adotar um filho? Então pense sobre estes pontos

ESPECIALISTA | Você gostaria de adotar um filho? Então pense sobre estes pontos

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Quem quer adotar uma criança no Brasil deve buscar atendimento no fórum mais perto da sua casa, pois não há adoção legal no país que não passe pela Vara da Infância, onde você receberá orientação sobre todos os passos necessários para fazer a jornada entre o projeto até a efetiva formação família por meio da adoção. Se você tiver interesse em saber sobre como funciona o processo em si, deixe um comentário e podemos abordar em outro momento.

Porém, ao longo destes anos, como profissional e mãe por adoção, noto que as maiores angústias não estão em compreender as fases do processo, mas na elaboração dos sentimentos envolvidos na construção desse projeto de família que ainda é um tabu para muitas pessoas. Por isso, selecionei aqui 6 conselhos os quais podem ajudar você a viver essa jornada.

Converse muito com o seu par

Pessoas solteiras podem adotar com os mesmos direitos que os casais, por isso, caso você esteja se preparando para uma adoção monoparental, considere como conversa a reflexão sobre o seu projeto adotivo.

É preciso que o desejo de adotar seja sólido e que ambos estejam comprometidos em formar sua família e exercer uma parentalidade responsável. Os filhos não podem ser um recurso para salvar relacionamentos, preencher vazios ou um investimento para ter companhia e cuidadores na velhice. Além de todas as demandas que um filho já gera normalmente, uma criança que chega por adoção já passou por dores extraordinárias e precisa ser amada e cuidada quando finalmente chega ao lar. Seu filho passou por muitas batalhas e não pode chegar à sua família com uma missão de curar os adultos.  

Busque um grupo de apoio

 Muitas dúvidas surgirão, é natural, você está se preparando para uma grande mudança na sua vida. A chegada de filhos muda a rotina, a dinâmica familiar, as finanças da casa, as prioridades, o relacionamento entre as pessoas da casa. É uma verdadeira revolução!

Por isso, é imprescindível que você busque conhecimento, tenha um espaço onde possa trocar informações com pessoas que estão na mesma jornada que você trilhará. Isso acrescentará aquilo que eu gosto de chamar de repertório, ou seja, que você tenha consciência das coisas as quais podem vir a acontecer e de alternativas de solução que já funcionaram para outras famílias.

Caso não encontre um grupo de apoio presencial, ou mesmo tendo o encontrado, pode buscar informações em grupos de apoio on-line, como o Histórias de Adoção e o Quintal de Ana.

Converse com outros pais

Semelhante ao conselho anterior, mas, neste caso, estou falando de pais que têm filhos biológicos em idades próximas ou superiores à faixa etária a qual você pretende colocar no seu perfil. Isso é importante, pois você vai aprendendo como lidar com as crianças e também para que não caia na maior armadilha que existe: colocar toda e qualquer dificuldade que tiver com a criança “na conta” da adoção.

 Assim, se você tiver uma criança de dois anos e ela fizer uma birra atrás da outra, você vai saber que esse comportamento é normal, a famosa e temida adolescência do bebê.

Tenha amigos íntimos o suficiente para te contar sobre o dia que o seu filhinho, que foi planejando e amado desde o momento do teste de gravidez positivo, se jogou no chão do supermercado aos gritos por algum motivo aleatório e como eles solucionaram esse problema.

Oriente sua família e amigos

Pode ser que o tema adoção não seja familiar entre as pessoas que conviverão com os seus filhos e, na pior das hipóteses, pode ser que haja algum tipo de preconceito. Com certeza, cabe ao pretendente saber o momento o qual considera mais favorável para contar a cada pessoa que está se preparando para adotar, porém, considero aconselhável por vários motivos que você o faça antes da chegada da criança.

Caso não conte, seus apoiadores perderão a oportunidade de estar por perto no processo, obter conhecimento e contribuir da forma que puderem. Sobre as que não apoiam, podem se tornar inconvenientes e é melhor saber quem são antes da chegada do seu filho, não é verdade? Além disso, ao falar sobre o assunto, você tem oportunidade de levar informações de qualidade e ajudá-las a mudar o ponto de vista.

Siga perfis com informações seguras

Mais um conselho sobre informação. Há perfis institucionais que divulgam informações oficiais, como o site do CNJ, GAASP e ANGAAD, mas há também profissionais e famílias formadas por adoção legal compartilhando sua história nas redes sociais e certamente poderão inspirar você.

Procure acompanhamento psicológico

Preparar-se para ter filhos passa pela experiência de reaprender a ser filho. Isso pode desencadear diversas memórias e, inclusive, será pauta da entrevista com a psicóloga durante o processo de habilitação. Contar com o apoio de um profissional nesse mergulho em si mesmo e na própria história é um investimento em saúde e em qualidade de vida para a sua família.

Além disso, o processo tem suas demoras, pode gerar ansiedade e também muitos questionamentos. Geralmente, a fase de definição do perfil é uma das mais críticas. Os pretendentes relatam sentir angústia em ter que escolher as características do filho que virá, como gênero, faixa etária, cor da pele, histórico social e de saúde.

Muitas coisas podem surgir dentro desse contexto. A ajuda especializada pode ser fundamental para que você esteja bem e com o melhor nível de preparo possível quando o filho chegar.

Revisado por @angelicaafilha

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