Mulheres-mães protagonistas da própria história

COLUNA | Quem apoia a mãe em crise existencial?

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É verdade que o caminho da maternidade é transformador.

É verdade que muitas “acordam” pra olhar a realidade como ela é, pra encarar o sistema de frente e mudar algumas coisinhas na sua vida.

Mas também é verdade que até chegar nessas conclusões a mulher passa por uma enorme crise, onde muitas vezes, não é vista, não é ouvida, não é amparada.

Essa crise envolve não ser somente aquela mãe dedicada e exclusiva da maternidade, e quanto a isso meus amigos, a mãe recebe a maior parte do tempo: críticas.

A mulher, que já está em crise por querer ser mulher para além da mãe, por conta dos próprios condicionamentos sociais, ainda recebe uma enxurrada de desamparos.

Se quer separar porque viu as amarras patriarcais em um casamento não tão saudável: vai destruir a família e o filho vai ficar traumatizado.

Se quer voltar a trabalhar por mais tempo e consegue rede de apoio – paga ou não – pra deixar o filho nas horas de trabalho: vai ser uma mãe ausente.

Se quer viajar pra respirar e pensar por uns diazinhos sem barulho de criança ou brinquedo na cabeça: vai deixar o filho com quem? Ele ainda é muito pequeno!

A verdade é que evoluímos em muitos pontos, mas ainda não em ver uma mãe não sendo apenas mãe.

Ainda não evoluímos na ideia de que mulheres quando se tornam mães não se resumem a esse papel.

Ainda não evoluímos na ideia de que pra ter filhos saudáveis, precisamos de mães saudáveis e muitas vezes a mãe precisa estar longe do filho por algum período pra manter a sanidade e criar um laço saudável com a criança.

Ainda não evoluímos na ideia de que criar um filho não é só papel da mãe e sim da sociedade inteira – ou pelo menos, dos familiares próximos.

Uma criança precisava mover multidões e não exilar mães.

Mas ainda encontramos uma solidão materna tão grande quando queremos dar os próximos passos rumo a nossa independência e autonomia enquanto mulher.

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