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Feminista que sou, falo e repito: meu corpo, minhas regras. Essa frase se aplica a diversas situações, inclusive sobre a exposição do corpo. Sendo assim, acredito que roupa curta não é convite para nada e que cada mulher deve ser livre para fazer o que bem entender com seu corpo, sem dever explicações a ninguém.

Ocorre que, todo ponto de vista, inclusive o que acabei de expor, sempre pode ser exagerado ou distorcido. Como mãe, noto que a influência das redes sociais sobre os adolescentes faz com que a desejada popularidade seja medida pela quantidade de likes e seguidores.

Numa sociedade machista como a que vivemos, o que costuma fazer um perfil de uma adolescente “bombar” são principalmente fotos e vídeos sensuais. Isso faz com que a garotada poste exageradamente provas de sua sensualidade para, dessa forma, alcançar o “sucesso”.

Nesse contexto, a liberdade para ser sensual como e quando quiser, acaba sendo deturpada. Afinal, a sociedade em que vivemos manipula essa sonhada liberdade para transformá-la na obrigação da adolescente expor exageradamente sua sensualidade, como única maneira de obter a admiração que pode ser medida por likes e seguidores.

Isso é, em vez de usufruírem da liberdade para decidirem o que querem ou não fazer com seus corpos, as adolescentes se tornam reféns desse suposto livre arbítrio. A ideia que deveria abrir horizontes e empoderar mulheres e adolescentes, é manipulada para se tornar mais um limitador do potencial feminino, que só é enxergado na forma do rótulo de mulher “gostosa”.

Como identificar se uma adolescente posta conteúdo sensual para usufruir sua liberdade de fazer o que quiser com o seu corpo sem ser julgada, ou se posta exatamente o mesmo conteúdo para cumprir a obrigação implícita de exibir seu corpo para conseguir algum reconhecimento? O limite entre essas duas motivações contraditórias é tênue.

Por um lado, lutamos para sermos enxergadas como pessoas capazes, e não somente como um apetitoso pedaco de carne. Por outro lado, no momento de formação da identidade e autoestima das nossas adolescentes, a pressão é para que elas busquem se afirmarem sim como um apetitoso pedaços de carne, para assim provarem a seus pares que têm valor.

Justamente no momento de explosão hormonal, sentimentos à flor da pele, insegurança e necessidade de aceitação, como podemos ajudar nossas adolescentes a descobrirem outras formas de se fazerem notadas e admiradas, enquanto lidam com a enorme pressão proveniente das redes sociais?

Talvez a resposta a essa pergunta esteja na sororidade. Sororidade entre as adolescentes, para que se apoiem e se valorizem além da aparência física. Sororidade entre as crianças, para que chegem à adolescência mais seguras e unidas. E principalmente, sororidade entre mães e filhas, para que a construção da autoestima das nossas jovens não se baseie na quantidade de curtidas e seguidores, muito menos no quão desejáveis elas conseguem demonstrar ser.

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