Mulheres-mães protagonistas da própria história

A carga não é ser mãe, mas quando queremos ser “super mães”

A carga não é ser mãe, mas quando queremos ser “super mães”

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Eu sempre quis ser mãe. Minha mãe é uma mulher incrível, amável e forte. Apesar de pouco estudo, sempre correu atrás de tudo por nós (somos 6 irmãos) saúde, bem-estar e educação.

Nunca nos faltou um livro, um material escolar, um estímulo de que “você é capaz, você consegue e eu vou te ajudar”.

Imagino quão grande deve ter sido o seu esforço para nos ajudar com tarefas escolares, pois ela mal sabia ler. Tanto ela, quanto meu pai, seres sensacionais, diria até a frente do seu tempo, eram libertos de preconceitos, de ficarem presos no que é “socialmente correto”, adeptos do amor e de ser feliz sem passar por cima de ninguém.

Acredito que minha maior inspiração em ser mãe, foi minha mãe, e só hoje eu consigo entender o quanto ela se cansou e seguiu, sem queixas. Talvez seja isso que me fez admirá-la tanto e acreditar que eu conseguiria ser mãe também.

Mas mãe, eu lhe devo desculpas. Desculpas por não enxergar seu cansaço atrás dos sorrisos e dos esforços, desculpa por ter julgado ser fácil.

Hoje eu sou mãe de três filhos. E me recordo quando incomodávamos minha mãe dizendo: “a senhora gosta mais do fulano” e ela sorrindo dizia: “não existe gostar mais de um do que do outro, cada filho é único e eu amo todos vocês”. Sim, mãe, hoje eu entendo perfeitamente este amor.

Somos realmente capazes de amar sem distinção e sem medidas nossas criaturas.

Hoje eu escrevo, para tirar de mim a culpa (que talvez não exista) de pensar que não estou dando conta, ou de julgar que tenho que dar conta de tudo.

Estou cansada, no meu limite e muitas vezes já não consigo sorrir e seguir. E me cobro muito por isso, acreditem.

Meu filho mais novo, de 6 anos, exige muito da minha energia. Temos uma rotina de terapias e atividades extras, assim, o único dia que “fazemos nada” além da escola é na segunda-feira. Nos demais dias sempre temos uma demanda no período da tarde.

A noite trabalho fora, e pela manhã, enquanto ele está na escola, estou nos afazeres de casa: (lavar, passar, cozinhar, organizar, mercado, etc.). Eu tenho a tarde disponível para ele, pois no meu trabalho, tenho direito a redução de carga horária para atendê-lo.

Minha filha mais velha já é casada, não mora mais comigo. O filho do meio trabalha fora e estuda, está em casa praticamente só para dormir, mas acreditem eles também são motivos das minhas preocupações e cobranças, afinal, são meus filhos.

Embora estejam crescidos e vivendo as suas vidas, (o que me alivia por tê-los guiados ao caminho certo), estarei aqui para o que eles precisarem.

Então, Vanessa, qual é sua angústia ou sofrimento? Vamos lá! Entendam! Eu não trabalho menos que vocês e o fato de estar mais tempo em casa (sem sair para o trabalho fora), não me faz cansar menos.

Minha rotina muda a cada dia, são lugares, trajetos e tempos diferentes, aí entra o estresse do horário de sair e de chegar, o trânsito e os contatos que temos em cada local.

Isso também cansa. É fazer tudo acontecer no tempo de chegar em casa.

Sair para trabalhar fora. Mas e antes disso? Ufa… ainda bem que antes disso eu estava deitada no sofá, vendo TV, lendo um livro, tirando um cochilo. (Contém muita ironia)

Invés, disso, eu estava preparando o almoço e na maioria das vezes o jantar, lavando as roupas, organizando a casa, ou seja, preparando tudo para sair “mais tranquila”.

Dando conta dos cálculos do orçamento, pensando no que fazer para o dia do pequeno ser melhor, mais leve e longe das telas, lendo algo a respeito dos diagnósticos e como lidar com eles, e em dias como hoje, onde as lágrimas se tornam a companheira da manhã, que a autocobrança me dilacera o peito, resolvi escrever e acreditem foi um alívio.

Talvez o problema seja eu não conseguir expor esta minha angústia olhando nos olhos de quem está comigo e talvez por isso eles não percebam o quanto essa carga é pesada.

Se eu peço, se eu falo, eu recebo ajuda, mas é naquele momento, entende?

Minha carga é contínua e, às vezes, estamos tão cansadas que não temos força nem para repetir o que já foi dito algumas vezes.

Por favor, entendam, a carga não é ser mãe, acredito que é querermos ser super mães, sem lembrar que também precisamos de cuidados.

Sorte a minha, que no meu mecanismo de “mãe”, a bateria se recarrega a cada ‘Eu te amo’ que vocês me dizem, a cada sorriso de conquistas que vocês me contam e a cada momento em que vocês demonstram que se sentem seguros comigo.

Amo ser mãe, amo mais ainda ter vocês, meus filhos queridos.

Autora: Vanessa Bispo —@van.bispoo

Revisão: Gisele Sertão — @afagodemaeoficial

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