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Hoje eu gostaria de escrever com mais leveza sobre o autismo e o Anthony (vulgo menino Tonho). Há quem não se sinta confortável usando a expressão “especial” para se referir à uma pessoa atípica, eu particularmente não vejo problema algum, até afirmo com muito orgulho o quanto o menino Tonho é especial.

Como eu poderia não afirmar que meu filho não é especial se conheço tão bem o significado dessa palavra? Ser especial é ir além e além estamos indo a todo instante. A solidão da maternidade atípica nos levou também além e juntos vamos aprendendo o quanto nossa cumplicidade e elo ultrapassa qualquer barreira de dor, a dor existe e juntos sentimos e choramos, juntos somos mais fortes.

Tu e eu, eu e tu. Além do autismo, além.

Anthony, quando chega faz alarde, esquenta o peito, arde de calor, pois amor é combustível para esse seu caminhar acelerado e incontrolável.

Poema é barulho. Você rima buzina com assobio, constrói uma avenida de poesia concreta com arvores que perfuram as frestas da minha ponte de safena ainda não instalada, do túnel atalho que atravesso para te encontrar mais depressa.

Tenho saudade até quando estou perto, como se a distância perpetuasse o outono. E quando já não sei mais como retribuir por tanto, você deita o sol, doura o chão, sopra uma brisa fria.

Preciso me aconchegar. Você é minha manhã, um eu te amo dito de uma maneira insubstituível. E ainda digo e tento explicar, você me corresponde de sua maneira, sei que é amor também, você brilha imensamente, meu filho, você é grandioso, você é infinito! Infinito e além.

De sua mãe.


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