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A infância é o chão que a gente pisa a vida inteira. É alicerce para a construção do porvir, a base de quem somos. Por isso, falar de infância, inclusão e diversidade é uma oportunidade para pavimentar o caminho do diálogo e de atitudes mais justas, generosas e inclusivas.

O diálogo sobre a diversidade com as crianças é fundamental, pois é na infância que a identidade se constrói. A percepção do eu, do reconhecimento de quem somos e de quem o outro é, a identificação de nosso pertencimento social, as diferenças que nos tornam únicos, tudo isso se alicerça na infância. 

E, apesar de fazer parte de toda experiência humana, essas diferenças muitas vezes são vistas como um pretexto para o preconceito, discriminação e exclusão.

Quando as crianças chegam a este mundo, elas se deparam com crenças, valores e relações já existentes, um mundo pré-estabelecido. E tem algo de muito peculiar no desenvolvimento delas: elas aprendem por imitação!

Então, por mais que seja bonito e eticamente responsável dizer que não temos preconceitos ou que todos somos iguais (o que não é verdade), são as atitudes e comportamentos das pessoas ao redor que serão incorporados por essa criança. Suas narrativas e identidades são construídas na convivência com o outro.

Passar pelo porteiro do prédio sem dar bom dia ou ignorar a presença de um cadeirante no parque “diz” tanto sobre quem são essas pessoas ou sobre o tipo de comportamento que se deve ter com elas quanto ensinar seu filho ou filha a falar obrigada quando alguém lhe fizer uma gentileza.

 Você já parou para pensar em como age com as pessoas no dia a dia? Em quais linguagens e atitudes têm permeado seu contato com o outro? Como nós, adultos, vemos e tratamos o diferente?  O que temos ensinado às crianças?

Pensar inclusão e diversidade requer de nós, não apenas disponibilidade para essa conversa, mas também uma reflexão honesta sobre as narrativas e concepções que fomos construindo sobre o diferente ao longo de nossa vida. Perceber o preconceito internalizado em nós e refletir sobre nossos padrões de comportamento pode ser um importante primeiro passo. 

Talvez questionar nossa própria forma de agir nos ajude a olhar para a diferença de forma mais natural e acolhedora. Se as crianças receberem de nós essas referências, certamente terão oportunidade de construírem identidades mais seguras e autoestimas mais positivas, assim como colocar em prática atitudes de respeito e valorização da diversidade. Qual o melhor momento para essa transformação, senão na infância?


Texto revisado por Daiane Martins.

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